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Perfeccionismo: quando exigir demais paralisa

  • Foto do escritor: Sheila Hauck
    Sheila Hauck
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Durante muito tempo, o perfeccionismo foi visto como uma qualidade: sinal de responsabilidade, capricho e alto desempenho. No entanto, na prática clínica, ele aparece com frequência como um fator de sofrimento psíquico, pois exigir demais de si não melhora necessariamente os resultados e, muitas vezes, faz exatamente o efeito contrário.


O perfeccionismo parte de uma lógica rígida: só é válido aquilo que atinge um padrão ideal. O problema é que esse ideal costuma ser inalcançável e, quando tudo precisa estar perfeito para ser suficiente, o resultado não é satisfação, mas frustração constante e sensação de desvalorização pessoal.


O paradoxo do perfeccionismo:

Existe um paradoxo importante nesse funcionamento, pois quanto maior a exigência por perfeição, maior tende a ser a insatisfação e o desgaste emocional. Em vez de produzir mais, a pessoa passa a produzir menos, justamente porque o medo de errar, falhar ou não atingir o padrão esperado começa a bloquear a ação.


Com isso, surgem comportamentos como procrastinação, dificuldade de iniciar tarefas, medo de finalizar projetos e a sensação constante de que nada está realmente bom. Aos poucos, a pessoa entra em um ciclo marcado por autocobrança intensa, cansaço mental e culpa, o que pode levar à paralisação completa.


Perfeição não é sinônimo de saúde mental:

O perfeccionismo passa a prejudicar a saúde mental quando deixa de ser um cuidado com a qualidade e se transforma em uma cobrança constante e insaciável. Isso costuma aparecer como autocrítica excessiva, dificuldade em reconhecer conquistas, medo de errar e uma sensação frequente de que nada é suficiente, mesmo quando os resultados são positivos.


A perfeição está ligada a um ideal inatingível, que ignora limites humanos como cansaço, falhas e oscilações emocionais. Em vez de promover bem-estar, esse funcionamento gera ansiedade, frustração e, muitas vezes, paralisação, já que a pessoa evita agir por sentir que nunca conseguirá fazer “do jeito certo”.


Saúde mental não está na perfeição, mas na possibilidade de fazer o melhor possível dentro da realidade de cada momento. Quando há espaço para ajustes, pausas e imperfeições, o progresso se torna mais sustentável, a autoestima se fortalece e o caminho deixa de ser marcado pela exaustão para dar lugar a uma relação mais saudável consigo mesmo.


Lembre-se:

Exigir perfeição não é sinal de força, mas muitas vezes um indicativo de desgaste emocional. Quando a pessoa entende que não precisa estar perfeita para estar bem, ela abre espaço para mais leveza, constância e bem-estar.


Fazer o melhor possível dentro das condições reais de hoje já é suficiente e, paradoxalmente, é exatamente isso que permite continuar, crescer e produzir de forma mais saudável ao longo do tempo.



 
 
 

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